UMA RÁDIO DETESTÁVEL

Um menino telefona para um programa interactivo da estação de Rádio Mil Colinas e diz assim: “… tenho 8 anos, quero saber se já tenho idade para matar uma barata”. E o locutor responde assim: “…que pergunta fofa…” No entanto, barata ou baratas é o termo encontrado pelos locutores da rádio para designar todo ruandês da etnia tutsi.

A peça Hate Rádio começa com uma instalação de vídeo. Em 4 telas acompanhamos depoimentos de carrascos e vítimas do genocídio ruandês de 1994. Narram factos temporalmente distantes, mas psicologicamente sempre próximos deles, sempre dentro deles. O conceito de representação dos actores que interpretam os depoimentos é simplesmente interessante: leve. As lágrimas distantes dos olhos, os soluços distantes das suas vozes. É como se a tragédia não mais lhes tocasse, que fosse apenas uma vaga lembrança. E é isso que torna o momento profundo dramaticamente para a plateia. A instalação ocupa toda a introdução do espectáculo. Alías, a introdução e a conclusão são caracterizados pela instalação de vídeo para depoimento das vítimas e carascos.

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