Sol de Carvalho mostra seu novo filme, Mabata-Bata!

E sol de Carvalho fez um filme! Bom! Excelente! Um hino ao cinema africano! Mabata-Bata é a sua nova longa metragem, uma adaptação do conto de Mia Couto, No dia em que explodiu Mabata-bata.

O filme narra a estória do menino Zacarias que perde a possibilidade de ir a escola porque tem de apascentar o gado que é dote do tio para lobolar uma esposa. E porque Zacarias como personagem carrega o objectivo de estudar, faz uma luta pela conquista desse objectivo que o leva para além da vida terrena uma vez que o rapaz perde a vida ao acionar uma mina no pasto. No mundo dos mortos, já como uma entidade espiritual, continua a lutar pelo seu desejo de estudar.

Visualmente Mabata-bata é dominado por cores primárias, verde, azul e vermelho. A luz, de inspiração naturalista e expressionista, evolui de ambientes claros para pouca luz a partir do primeiro ponto de virada, momento em que Zacarias aciona a mina. A luz é usada sem recurso a efeitos o que era de supor para marcar a separação entre os momentos reais e mágicos do filme. Sol de Carvalho fez uma escolha diferente o que resultou muito bem porque transmite a ideia de que o mundo mágico-espiritual é real e bem presente na vida do africano. Com planos geralmente abertos, mostrando-nos a plenitude dos ambientes escolhidos para cenários, a montagem faz com que eles fluem a um ritmo pausado, levando-nos a sub-entender a relação antropológica que o africano estabelece com o tempo; uma relação em que o tempo é percebido como um fenómeno social e não cronológico ou matemático.
Aliás, Mabata-bata é um filme psicologicamente construído para um público alvo africano, dai a presença ao longo da narrativa de muitos símbolos e rituais tipicamente africanos.

A fraqueza do filme é a representação amadora do elenco no seu geral. Olhando de forma específica há que fazer vénia a Horácio Guiamba no papel do tio do Zacarias, ao Mário Mabjaia no papel do espírito que morra em Zacarias e para o menino Emílio que interpreta Zacarias, a personagem principal. A Esperança Naene, apesar de ser uma talentosa atriz e com bastante experiência, desta vez não aguentou com as necessidades de uma personagem que é curandeira, aliás esta personagem pareceu-nos não ter sido bem construída.

JOIN THE DISCUSSION