Peter Gudo, de vendedor de bolinhos em Dondo para produtor de cinema em Maputo

Peter Gudo nasceu na cidade de Dondo, Sofala, numa família de 7 irmãos. Quando menino lembra que subia para cima de casa para acertar a antena para que o televisor pudesse captar e transmitir boa imagem da TVM, então único canal. Não é que certo dia vê o vídeo-clip de Mc – Roger na canção “em Maputo eu me sinto bem”. Então, Peter ficou fascinado por esse Maputo no qual Mc – Roger sentia-se bem. Foi juntando dinheiro para a viagem, 1 Metical ao dia. Nessa altura o trigo, bolinhos assados ou fritos, madrugadas e vendas de bolinhos a mando da madrasta junto a porta da escola Secundária de Dondo faziam parte do seu quotidiano, que o lembra com alguma tristeza. Cada moeda juntada era uma caminhada feita para essa cidade de Maputo que Mc – Roger vendia-lhe com a fantasia do seu vídeo-clip. Mas como se Deus estivesse a escrever direito por linhas tortas, seu pai, maquinista de comboio, sofre em 2001 um grave acidente ferroviário na zona de Sena no qual perde a memória. Em 2007 é transferido para o hospital Central de Maputo para onde Peter acompanha-o. Poucos dias depois seu pai desaparece do hospital para nunca mais encontrá-lo. É acolhido pelo seu tio que dele cuidou até fazer-se homem.

A porta do cinema abriu-se em 2008 quando vê um anúncio de casting para um filme chamado Manungo que iria ser rodado no Zimbabwe. Fez o casting, afinal o papel principal, Manungo, era mesmo para ele. Assentou-lhe como uma luva. Era uma personagem que teria de sobreviver depois do desaparecimento dos pais devido a guerra. A vida da personagem era quase a vida dele mesmo. Esteve em Harare para a rodagem, mas o filme não aconteceu de facto. Esta experiência deu-lhe sede de ser actor de cinema. Assistiu então vários filmes e imitava os protagonistas, ao exemplo do filme O senhor dos anéis. Comprou até um espelho para visualizar sua imitação. Passou a frequentar a biblioteca nacional e a biblioteca da Escola de comunicação e Artes para ler livros sobre representação.

Em 2011 uma nova porta abriu-se com o filme República di Mininos, de Flora Gomes, onde interpretou a personagem Tigre. Esta experiência marcou-lhe profundamente de tal forma que decidiu que queria ser estrela de cinema como Deni Glover, com quem trabalhou no filme. Mas porque para ser actor teria de haver primeiro produtoras para contratarem-no como actor aqui em Maputo, decidiu criar a sua para contratar-se para estrelar filmes. É assim que em 2012, ainda menor de idade, com 1.500MT no bolso decidiu licenciar uma empresa produtora. Começou assim uma longa história que mistura trabalho e sucesso, e que continuaremos a contar numa próxima edição.

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  • Denilson 14/05/2018 at 16:49

    Impressionante….

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