Paulina Chiziane diz coisas feias sobre os jornalistas culturais no II seminário sobre a matéria

A autora de Balada de Amor ao Vento, Niketchi e outros livros, diz ter pouco mais de 35 anos de carreira ao longo dos quais foi crescendo de qualidade, mas o jornalismo e o jornalista cultural não! Hoje, esse jornalismo ou jornalista é de uma piquenês que a irrita.

Paulina Chiziana falava à margem do II Seminário sobre Jornalismo Cultural, organizado pela Sóarte Media em parceria com a Associação IVERCA, entre os dias 26 e 28 do corrente mês de Março, no Instituto Camões, na cidade de Maputo. No segundo dia do seminário, a escritora fez parte do painel subordinado ao tema Jornalismo Cultural para Além da Arte. Sobre o tema começou por dizer que a questão do jornalismo para além da arte é uma questão profunda e mexe com toda a estrutura de vida de cada moçambicano. Disse na sua locução que é preciso relatar para a imprensa aquilo que vai para além da coisa material, seja performativa ou figurativa para olhar aqueles aspectos que dizem respeito a nossa forma de ser estar. Deu como exemplo o seu livro intitulado Para Quem Vibram os Tambores do Além, explicando que aborda o novo testamento na perspectiva da cultura bantu. “Os jornalistas não abordam essa matéria nas suas páginas porque são submissos a uma forma de ser e estar ocidental. São submissos a cultura cristã. O patrão ou o chefe do jornalista orienta-se por esse modo de vida, e então não pode contrariar esse status. Contudo, essa minha abordagem é bastante valorizada no estrangeiro onde tenho viajado  por bastas vezes para falar sobre o livro”.

A dado momento da sua intervenção atacou de forma directa, mas didáctica aos jornalistas culturais. Disse estar farta de responder às mesmas perguntas aos jornalistas culturais, do género “quando começou a escrever, quantos livros já escreveu, de que fala seu livro, etc, etc”. E acrescentou dizendo que “quando um jornalista cultural me faz esse tipo de perguntas está a me dizer que não me conhece, nunca leu meus livros, e que não pensa! Por essa razão não dou entrevista a jornalistas, não quero mais, porque são pseudojornalistas”. E como que a rematar disse, “quem quiser me entrevistar tem de me conhecer primeiro”.

 

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