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“Me apaixonei pelas artes assistindo cartoon na televisão” disse o artista plástico recém-participante de MFW

“Quando um turista vem para Moçambique, a primeira coisa que quer saber é sobre a nossa cultura e nossos hábitos e costumes… eu nunca vou responder que a minha cultura é trabalhar num banco.”

Aos 4 anos de idade, Alberto Correia, o então Adecoal, já tinha sensibilidade pelas cores, na altura vivia no Alto-maé. A curiosidade pelos pinceis e vontade de aprender a escrever veio aos cinco anos depois de se mudar para o bairro de ferroviário.

Os pais e familiares ao perceberem que Alberto tinha inclinação para as artes, compraram-lhe materiais de desenho e apoiaram-lhe em todas as fases do seu aprendizado. Fez o ensino geral e pelo espirito artístico que carregava dentro de si, entrou para o ISARC ainda com o apoio da família.

Terminado a licenciatura em Designer, apostou em artes plásticas como profissão. Passou a criar quadros com pinturas surrealistas e costumizar roupas através de designer de moda. Embora o seu enfoque na formação seja designer gráfico e de produtos, Alberto aprendeu a ilustração para maximizar o seu talento. Hoje, é professor de artes plásticas em duas escolas privadas e faz trabalhos por encomenda para clientes.

Alberto se considera um artista versátil pelas multitarefas que executa. Desde o artesanato as telas, é para ele, um ganho inspirado pelo Claudino Braga. O seu sonho é mudar a mente dos moçambicanos e mostra-los que “Arte é trabalho”.

Depois da sua primeira participação em 2017 no Mozambique Fashion Week, onde fez lançamento internacional da sua marca “Adecoalwear“, o reconhecimento pelo seu talento triplicou e vários artistas ou cidadãos em geral passaram a convidar-lhe para mais trabalhos. Depois desta experiência, acredita que só com trabalho é que ensinamos o outro a valorizar o que detemos.

Desafiado pela caracultura a fazer uma breve avaliação das artes em Moçambique, primeiro lamentou o facto da arte não ser levada como cultura, de seguida, tocou no ponto da desvalorização das artes: “Artistas são  considerados desocupados e a arte não é tomada como profissão”.

“Dói-me ouvir pessoas a pensarem que o artista é aquele que não sabe o que faz, é um perdido na sociedade ou então um marginal. Mas no final das contas, todos querem um bom quadro para enfeitar a sua sala, querem ouvir música, querem que aquele jardineiro que é um Zé-ninguém na sociedade deixe o seu jardim bonito. Como vamos desenvolver se não somos valorizados? Dizem que um bom emprego é ser professor, banqueiro ou pedreiro. Penso que precisamos mudar a nossa forma de pensar, precisamos de uma sociedade dinâmica.” Alberto Correia

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