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INAE Fiscaliza Operadores e Distribuidores de Sinal de Televisão em Moçambique

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Cinema moçambicano

No âmbito da Lei nº 1, de 06 de Janeiro de 2017, lei do audiovisual e cinema, e respectivo regulamento, que obriga aos prestadores de serviços na área, distribuidores de sinal e televisões, a contribuir para o Fundo Nacional de Apoio à Produção Cinematográfica, e verficando-se seu incumprimento pelos agentes económicos visados o INAE decidiu agir.

Após um trabalho de sensibilização feito pelo INICC – Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas desde 2018 à necessidade de cumprimento da lei, tendo a acção se mostrado infrutífera esta instituição abordou o INAE cuja responsabilidade é inspectiva das actividades económicas.

“Foi constituida uma equipa conjunta das duas instituições para o trabalho de fiscalização”, disse Samuel Ussenga em reunião com nosso repórter no qual fez se acompanhar pela Lisi Guetse responsáveis por esta actividade dentro do INAE. Da actividade de fiscalização constatou-se de facto o não cumprimento da lei pelos operadores o que obrigou a passagem de multas que equivalem a 80 salários mínimos cada. “A partir do cruzamento dos dispositivos legais vimos ser mais adequado a passagem de multas para evitar a suspensão das actividades das empresas que poderia ser prejudiacial para as empresas tendo em conta a responsabilidades que elas têm para com seus trabalhadores e para com a economia nacional”, explicou Lisi Guetse.

As empresas abordadas revelaram relutância no pagamento das taxas devidas ao Fundo de Cinema alegando não verem vantagens, conforme explicou-nos Samuel Ussenga. De facto, numa abordagem anterior que a nossa reportagem realizou junto da Startimes, única empresa que recebeu nossa reportagem para falar sobre o assunto, o responsável da área de marketing, Francisco Mathe, explicou-nos que sua empresa não foi exclarecida pelo INICC sobre os benefícios para sua empresa que derive do pagamento da taxa ao INICC. “O que recebemos foi apenas a ordem de pagamento para os exercícios económico de 2019 e 2020, mas não nos foi exclarecido que benefícios isso nos tráz”.

Samuel Usssenga adiantou ainda que a cobrança das multas é uma forma de persuasão das empresas para cumprimento das suas responsabilidades que derivam da lei do audiovisual e cinema e que a contínua violação da mesma pode levar a suspensão da actividade da empresa em causa ou cobrança coerciva através da execução fiscal.

De referir que do total das empresas que exploram os serviços de distribuição de sinal e operadores de televisão apenas a ZAP é que contribui para o fundo, mas mesmo assim não escapou à multa do INAE por demora no pagamento da contribuição em relação ao exercício económico de 2020.

 

 

Grilaug: Um provedor de serviços de alojamento (hospedagem) web 100% Moçambicano

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O melhor provedor de serviços de alojamento (hospedagem) web 100% Moçambicano

Nos últimos tempos, é crucial que uma empresa marque a sua presença no meio digital como forma de partilhar os seus valores e produto. Possibilitando mais visibilidade tanto a nível local ou mundial, e isso (presença online) pode ser feito através da criação de páginas nas redes sociais e criação de um website.

Para publicação ou criação do site de uma empresa, o primeiro passo é a escolha do nome que servirá para o domínio, e geralmente é o nome da marca (exemplo: www.grilaug.com ou grilaug.co.mz) e posteriormente a escolha de um provedor de serviços de alojamento web ou hospedagem web capaz de garantir segurança, confiabilidade quanto a sua actividade na internet.

A hospedagem web ou alojamento web é o espaço em que serão armazenadas todas informações ligadas ao seu site, igual a um escritório ou loja onde o público tem acesso ao historial, valores da marca, os produtos ou serviços que a mesma dispõe e consequentemente criação de interactividade.

Já são inúmeras as marcas que escolhem a Grilaug para alojamento e hospedagem web dos seus sites assim como também criação de domínios. Fundada em 2019, Grilaug é uma empresa moçambicana de hospedagem na web e registo de domínios da internet, tendo planos de hospedagem mensais que vão desde partilhada, servidor VPS e dedicada, o que posiciona a Grilaug como melhor provedor de serviços de hospedagem e registo de domínios em Moçambique.

Não se trata do valor a gastar, mas sim, de um investimento que possibilitará a sua visibilidade aumentando a conectividade com os seus clientes através de uma interação rápida.

Através do web site o público tem a possibilidade de se conectar e conhecer as novidades da sua empresa, e possibilita com que a empresa seja vista pelo mundo e os seus serviços em pouco tempo sem a necessidade de recorrer a uma sucursal ou, não se limitando ao local em que opera fisicamente.

Mbeu Numa Absurda Espera Pelo Godot

Mbeu
Grupo teatral

Quando por detrás de uma cortina tem barrigas que sentem um friozinho, e a frente da cortina temos ansiedade dos que se sentam nas cadeiras, significa que estamos perante um espectáculo que está prestes a começar. Foi assim no sábado, dia 29/05, no palco do CCBM, na cidade de Maputo. O espectáculo era a encenação de um texto de Samuel Backett, e que texto!

Eliot Alex encenou um elenco que conseguiu estar ao nível do soberbo texto. No palco Yolanda Fumo, Arlete Bombe e outros actores preencheram os espaços interpretando personagens em situações tragicómicas, personagens presas a situações insolúveis e obrigados a clichés e receptibilidade das acções e desligadas da realidade; aliás são estas algumas das características do teatro do absurdo que esteve em voga na Europa da década de 50 e que Samuel Backett foi um dos expoentes ao lado de autores como Harold Pinter, Antonin Artaud entre outros.

Didi e Gogo (Vladimir e Estragon no texto original) interpretados por Yolanda Fumo e Arlete Bombe, esperam pelo Godot numa esquina qualquer, junto a uma ávore qualquer. Não sabemos porque esperam e nunca ficamos a saber. Até porque o tal Godot nunca chega. E durante essa espera acontecem perpécias improváveis que só poderiam ser cometidas por doidos ou pessoas que não têm noção da realidade. Nesse curso a única coisa que ficamos a saber são os traços gerais do story back das personagens. Por exemplo ficamos a saber que Gogo fora um assassino em massa, provavelmente um executor de ordens administrativas, numa daquelas instituições que usam a eliminação física dentro do seu quadro procidemental. Por ai, esse Gogo pode muito bem nos lembrar Eichimann do regime nazista, que foi imortilazado por Annan Arendt em Eicmann em Jerusalém.

Sob ponto de vista de conteúdo, Samuel Backett usou as desigualidades sociais, a miséria dos ricos perante a exuberância dos ricos para suportar a narrativa. No entanto, a narativa nao é moralista e nenhuma personagem é vítima, embora em algum momento nos pareçam boas. Samuel Beckett faz personagens viverem dentro de condições políticas a que são impostas pelo contexo social.

FILME NKWAMA DE GIGLIOLA NO FESTIVAL CENA

GIGLIOLA CARTAZ

Filme NKWAMA, de Gigliola Zacara fará parte da programação do CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres, em Cabo Verde.

No âmbito do mês de Março – Mês das Mulheres, o CENA – Festival de Filmes Dirigidos por Mulheres – um festival que visa promover o cinema feito por mulheres, especialmente por realizadores de Cabo Verde e dos PALOP, terá a sua segunda edição.

O festival realizar-se-á em formato on line, na página do Facebook do CENA, nos dias 27 e 28 de Março. No entanto, em colaboração com a Universidade de Cabo Verde (UviCV), no Mindelo, nos dias 22-26 de Março, vão acontecer os “miniCENAs” – as mostras “tradicionais” durante as aulas com pequenas grupos de estudantes.

Este ano, o festival conta com a participação de realizadoras de Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe e vai ser o palco da conversa on line com a realizadora Claire Andrade Watkins. A realizadora vai lançar o seu novo filme nesta edição do CENA.

O Festival conta com o apoio da Universidade de Cabo Verde (UviCV), REDE de Cinema e Audiovisual PALOP-TL e Universidade de Cracóvia, Polónia.

O filme NKWAMA, da realizadora moçambicana Gigliola Zacara, é um dos filmes escolhidos para fazer parte desta segunda edição, o mesmo será exibido no dia 27 de Março, será o terceiro filme da primeira sessão de exibições que irão iniciar as 19H de Cabo Verde, 21H de Moçambique.

NKWAMA, retrata a história de Alice, uma mulher vista como uma heroína para a sua família, por encontrar sempre solução para as dificuldades do dia-a-dia. Vivendo numa comunidade pouco consciencializada em relação aos problemas do meio ambiente e mudanças climáticas, faz do plástico o seu meio de subsistência. Nkwama, que em português significa plástico, é considerado um dos piores inimigos do meio ambiente, pois, a poluição causada pelo descarte de objectos de plástico é um dos grandes desafios da actualidade, onde o cenário ideal seria uma vida com a produção de menos lixo e a utilização de produtos circulares, ou seja, aqueles que podem ser reutilizados e reciclados, sem virar lixo após o uso. Para Alice, assim como para milhares de moçambicanos que se deslocam todos os dias pelas ruas e lixeiras em busca deste bem precioso, o plástico significa apenas sustentabilidade. O filme é um claro apelo a sociedade para uma maior atenção as questões ligadas ao meio ambiente e mudanças climáticas, como também, através dele levar a reflexão sobre a importância da educação sustentável para as nossas comunidades através da produção de renda a partir dos resíduos plásticos.

Para a sua produção, o filme contou com o apoio de profissionais da área do audiovisual e do teatro, Centro de Recriação Artística, 7 Ofícios – Rede de Mulheres Artistas, ETC., António Sendo Lda, Maochas Produções, Olhar Artístico e Amocine.

GIGLIOLA ZACARA  E SEU PERCURSO NO CINEMA

Gigliola Zacara iniciou-se no cinema como atriz em 2005, estudou representação para teatro, cinema e televisão em Moçambique, Brasil e Angola, conta com participações em aproximadamente quinze (15) filmes, produções nacionais e internacionais. Seus destaques como actriz no cinema vão para os filmes “O jardim do outro homem”, de Sol de Carvalho, que lhe garantiu a nomeação para a categoria de Melhor actriz principal, no Festival Cineport 2007, no Brasil, “Traídos pela Traição”, de Mickey Fonseca e Pipas Forjaz, “Quero ser uma estrela”, de José Carlos de Oliveira, “Mosquito”, de João Pinto Nuno e o mais recente “Resgate”, de Mickey Fonseca e Pipas Forjaz.

Foi em 2007 que começou a fazer a sua transição para aprender como se trabalha atrás das câmeras, quando surgiram as primeiras oportunidades de se formar como produtora e realizadora, participando em oficinas de formação em cinema em Angola, onde participa na Formação em Técnicas de Produção, Formação em Produção de Documentários e Formação em Argumentos de Ficção e Documentários a quando da sua ida ao FIC LUANDA (Angola), em Moçambique fez a Formação em Técnicas de Interpretação e Captação de Imagem, Formação em Técnicas de Edição de Imagem e Formação e Estágio em representação para Cinema, Televisão e Teatro através Projecto Olhar Artístico, uma iniciativa da AMOCINE – Associação Moçambicana de Cineastas.

Em 2019 começa a fazer as suas primeiras produções fazendo spots promocionais, vídeos de teatro e dança, filmes documentários institucionais para finalmente em 2020 lançar o seu primeiro filme de ficção curta-metragem, intitulado NKWAMA, que lhe garantiu duas premiações para o 1° Lugar para o Prémio Público e 2° Lugar para o Melhor Curta Metragem, no 4° Concurso de Curta-metragem CCMA.

 

Mbuta, Dança Tradicional Misteriosa Desaparecida

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Dança Tradicional de Moçambique
MBUTA

Desde os tempos mais idos dos nossos ancestrais que a dança era praticada nas zonas rurais da província de Inhambane. Só mulheres, anciâs e iniciadas nos mistérios da espiritualidade dentro da comunidade podiam dançar.

“Mbuta era uma cerimónia constituída de diversos rituais, e a dança era uma delas parte mais visível”. Explica-nos Augusto Cumbane, mais conhecido por Spik, 85 anos de idade, nhwatilholo sediado no distrito de Jangamo, posto administrativo de Cumbane, povoado de Mbonguweni, expressando-se em gitonga, e acrescenta, “Era uma cerimonia que durava 2 dias. Iniciava-se na noite de um dia e terminava no inicio da noite do dia seguinte”.

Aurélia Nhapossa, de 73 anos de idade, uma nyanga sediada no distrito de Jangamo, povoado de Nhakuvo, expressando-se em gitonga explica-nos que a dança era praticada durante a noite até a madrugada nas ruas da comunidade para evocar aos espíritos e ao Nungungulo (Deus) para proteger a comunidade de desastres naturais, pragas e garantir a chuva e fertilidade dos solos. Na noite aprazada para a cerimónia havia um recolher obrigatório. As únicas pessoas que se deveriam achar nas ruas eram as mulheres que iriam dançar, e que nuas cantavam e dançavam, e tocavam batuques até ao amanhecer percorrendo as ruas até as extremidades da comunidade.

Já Joaquim Mafuaine, 79 anos de idade, nwatilholo, nascido no distrito de Homoíne e sediado na vila do distrito de Inharime, expressando-se em chitsua, exclareceu que a razão de se dançar nu tem a ver com a necessidade de injuriar o mal. “Portanto, insulta-se ou injuria-se o mal com a nudez”. A cerimónia era dirigida pelo líder local que era um régulo. Ao procurarmos saber como se processava a cerimónia, Joaquim Mafuiane explicou: “Depois de se evocar os espíritos em casa do líder ao entardecer, pela noite as mulheres saiam à rua para dançar nuas por onde fosse espaço da comunidade liderada por aquele régulo. Ao amanhecer saiam outras mulheres vestidas e entravam no mato a busca de plantas e tubérculos medicinais que eram incinerados numa panela de barro em casa do régulo produzindo assim um medicamento. Ao entardecer esse medicamento era entregue a um grupo de rapazes que saiam nus e pelos limites da povoação enterravam os medicamentos (gufumba litigu, que em tradução directa quer dizer amarar a terra). Regressados a casa do líder era o final da cerimonia”.

As fontes revelaram-nos que Mbuta cessou com a independência nacional, em 1975. Os líderes locais foram extintos e as práticas tradicionais foram proibidas.

Dança Tradicional de Moçambique
MBUTA Dança Tradicional