Aldino Languana vencedor da primeira edição DOCTV CPLP diz que o curso de cinema no ISARC devia ser encerrado.

 

Aldino é um cineasta e artista plástico. Tem vários quadros pelo mundo e um dos melhores documentários da África “Timbila e marimba Chope” que lhe rendeu 50.000 euros só de produção. O seu documentário levou-lhe a muitos sítios para dar palestra sobre a Timbila.

Numa conversa sobre a reflexão do cinema em Moçambique, o nosso cineasta disse que não concorda com a existência do curso de Cinema no ISARC – Instituto Superior de Artes e Cultura.

“Existe um erro maior desde a criação do curso ao próprio ensino. Eu acho que o ISARC está a induzir os alunos a pecar. Isto porque, enquanto os cineastas estão a tentar resolver os problemas que o cinema moçambicano enfrenta, os alunos do ISARC são recomendados a cair no mesmo erro. Isso como parte do Curriculum… Ouvi uma vez que os professores disseram aos estudantes finalistas de cinema, que deviam fazer um filme longa-metragem de ficção. Dizem como se a ficção fosse o top. Mas isso não é verdade. O Documentário ou ficção, são iguais. O importante é que estamos diante de cinema. Apenas pessoas atrasadas no cinema podem pensar que o documentário e filme de ficção são diferentes. Imagina isso a ser lecionado num Instituto Superior! Acho que o ISARC não devia ser categórico em abraçar a ficção. Pelo contrário, aqueles alunos deviam explorar mais o documentário porque é lá onde encontrarão o seu estilo próprio de fazer cinema…”

Aldino também critica a qualidade de ensino que este Instituto tem a oferecer aos seus alunos. Aconselha aos estudantes a abraçarem o cinema assim que saírem das carteiras. Assim como, aconselha a aceitarem aprender o verdadeiro cinema com os cineastas que já estão no terreno a trabalhar. Também exige dos alunos uma nova visão de cinema para mostrar aos cineastas auto didatas.

Mesmo criticando o sistema de ensino naquele Instituto, não deixou de acreditar no potencial que os estudantes podem trazer a sociedade. Munidos de teoria em complemento com a prática, podem ser mais criativos no cinema Moçambicano.

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Estudou Gestão Cultural na Universidade Eduardo Mondlane

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Comments

  • Asn Nhaca 31/10/2017 at 17:18

    Era importante ele ( Aldino Languana ) citar a fonte das informações que ele trás…porque mesmo eu que sou estudante não tenha a mesma…nunca ouvi dizer que éramos obrigados a fazer ficção,,ou que cinema era apenas ficção, e importa salientar que já fizemos documentários, vídeos artes, vídeo clipe…como estudantes.

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