AFILHADO DE MR. BOW LANÇA NOVA “BOMBA” PARA O MERCADO

Por: Bernardino Tomo

Depois do sucesso das músicas “Vuthu Marabenta” (lançada em 2012), “Singa Divani” (2013), “Matilho ma vula vula” (2014), “Nitamu Kuma Kwini e Timhaka” em (2016) e “Mulher é uma viagem” lançada em 2017, o embaixador de calças de boca-de-cino, Mabermuda lançou, recentemente, uma nova música intitulada “Nawena uta guga uta loya”.

Mabermuda, mesmo antes de entrar no laboratório da Bawito Music, sempre manteve a sua identidade artística. Chama atenção logo no início, tem uma coerência visual e sabe fortalecer a sua marca para ganhar mais relevância. É um artista que canta, dança e ginga como moçambicano. Valoriza a nossa cultura, é um cantor com auto-estima de verdade, diferentemente de muitos artistas que se fazem passar de americanos, angolanos e nigerianos.

O videoclipe do novo trabalho que contou com a produção espetacular do cinegrafista de mãos cheias, CR Boy Produções, tem uma excelente qualidade, transmite energia, criatividade, capta atenção do público e desperta diferentes memórias e emoções. É um videoclipe que nos ajuda a memorizar histórias do que apenas informações ou factos independentes.

Na conta oficial do YouTube, o novo videoclipe do afilhado de Mr.Bow coleccionou mais de 16 mil visualizações, em apenas uma semana. Este número evidencia o amor e carinho do público. Um dos fãs fez o seguinte comentário. “Mabermuda vai mais além…Não insulta, não envergonha…É isso que queremos na nossa música. Outra mensagem diz: “Mabermuda! Para mim, você é o melhor de Moz, não fala mal das pessoas, tens mensagem educativa e sem nudez nos vídeos”. É muito emocionante este tipo de feedback.

Tenho acompanhado a carreira artista de Mabermuda com muito entusiasmo. Quando escuto qualquer música dele, sempre agito o meu esqueleto até à medida do possível. Ele tem uma linha de produção musical que espelha a nossa moçambicanidade e o seu novo trabalho, mais uma vez, carrega a linhagem marrabenta. Trata-se de uma música que descreve o sofrimento que muitos pais atravessam por causa do mau comportamento dos seus filhos. Uma pura realidade. Percebe-se na referida música que há pais que se esforçam para educar e alimentar os seus filhos, mas depois ficam sujeitos à humilhação dos próprios miúdos. Portanto, estamos perante uma música de intervenção social, com mensagem educativa.

Infelizmente, no nosso xadrez musical, são poucos artistas com idade de Mabermuda que fazem música de raiz. Muitos artistas buscam estilos musicais de outros países, até mudam de sotaque e a forma de dançar. Por exemplo, os irmãos Maricoa estão completamente “escangalhados”, cantam como se fossem “tugas” (portugueses), jogaram na lata de lixo aquele estilo “nampulense”; Hot Blaze, de tanto imitar os cantores estrangeiros, é confundido com angolano. Mas, o Mabermuda é inconfundível, tem a música moçambicana, nas veias.

Os angolanos, franceses e nigerianos nunca imitam, por exemplo, a nossa marrabenta, mas nós imitamos o Semba, kuduro e a Kizomba de Angola, o Zouk francês e o afrobeat da Nigéria. Para finalizar. Mabermuda! Continue sempre assim. Os nossos “kotas” de marrabenta (Wazimbo, Hortêncio Langa, Dilon Djinge…entre outros) precisam de jovens que apostam na nossa identidade.

PARABÉNS PELO TALENTO E RECONHCIMENTO DA NOSSA CULTURA! Abraços

Mabermuda

 

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