Sonhava ser bombeiro enquanto vendia bolinhos em Dondo, mas acabou sendo produtor de cinema!

Peter Gudo faz parte de uma família de 7 irmãos. Ainda crianças, recorda, todos eles acordavam as 3 da manhã para amassar trigo com a madrasta para vender nas ruas e escolas de Dondo, todo santo dia. Mas as circunstâncias trouxeram-no a Maputo. E como que por paraquedas caiu no elenco do filme República di Minino, de Flora Gomes. Ao participar nesse filme ficou fascinado com a envergadura de produção. Viu muita maquinaria e assistentes atrás dos actores e técnicos. Então, como actor decidiu: É esta vida que quero para mim. Ai trocou o sonho de ser bombeiro que trazia de Dondo, afinal as vezes os sonhos são como brinquedos que os trocamos com a idade. Começou a sonhar ser actor de cinema, mas acabou se tornando produtor.

CaraCultura: Concretamente, como é que começa a ser produtor?

PG: Apareceu em Moçambique um seriado Britanico Strik Back que teve muitos problemas de produção. Por ironia do destino estava a lidar-me com alguém ligado a uma produtora local desse filme. O problema era que produção tinha 89 viaturas retidas na fronteira de Rssano Garcia por incluir carros blinados, e 124 técnicos retidos no aeroporto internacional de Maputo porque os vistos não estavam correctos. Como o meu inglês era bom esse produtor deu-me a oportunidade de intermediar as negociações como tradutor para solução do problema. Nesse trabalho conheci várias pessoas importantes na área do cinema, sobretudo produtores e acumulei experiências. Então vi ali uma oportunidade para eu começar a ser produtor para produzir meus próprios filmes nos quais ria me contratar como actor. Nessa altura comecei então a pensar abrir uma empresa.

CC. Efectivamente, como é que você começa a produzir?

PG: Depois da rodagem de Strike Back tive a oportunidade de conversar com Lanson Samuel e o realizador da série Bill Igols que me encorajaram a abrir uma produtora para que projectos como os deles não tivessem problemas no futuro que quisessem voltar a trabalhar em Moçambique. Essa foi uma motivação a cima da minha vontade inicial de ser produtor para me contratar como actor. Depois de abrir a empresa, as primeiras pessoas a contactar foram esse produtor e realizador que me encorajaram e que por sua vez colocaram-me em contacto com vários outros produtores em vários países.. Então comecei a receber chamadas de várias produtoras do mundo, o que sucedeu é que mensalmente estava sempre envolvido na produção de 3 a 4 filmes por mês.

CC: Qual foi o seu primeiro filme a produzir?

PG: Antes de produzir tive que fazer um grande trabalho de marketing. Abri um site da empresa no qual coloquei minhas referências na área do cinema. Dentro da estratégia de comunicação escrevia cerca de 200 emails por dia para diversas produtoras do mundo para saberem que eu existo, até que um dia por volta das zero recebi a primeira chamada da CNN.

CC: Onde acontecem esses filmes que nunca ouvimos falar?

PG: De facto é muito estranho, mas tem acontecido que várias produtoras têm vindo rodar em Moçambique. Chegam com celebridades do cinema e filmam dois ou três dias e vão se embora, e ninguém fica a saber de nada.

CC: Como é que tem trabalhado actualmente?

PG: Olha, Moçambique é um mercado ainda virgem, cheio de oportunidades para todos, embora haja pessoas que gostam de fazer barreiras porque não se sentem bem estarem no mercado a competir com os outros, eis a razão porque durante muito tempo nunca falei do meu trabalho, fazendo isso fora, na África do Sul, Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha e outros cantos do mundo.

CC: Tens referências de trabalhos que tenhas produzido?

PG: São vários filmes. O mais recente é o The Grand Tuor, um seriado britânico de corrida de viaturas de luxo.

CC: Projectos futuros?

PG: Aqui em Moçambique há um problema de visualização de filmes nacionais. Assim criei com a minha equipa a Nigma TV para que as pessoas possam ter acesso a visualização de filmes na plataforma Net Flix e Amazon Prime. A Nigma Microcrédito é uma empresa de empréstimo de pequenos valores. Estamos também em fase de desenvolvimento de um projecto de longa metragem sobre casamentos prematuros. Temos já financiamento garantido, embora nesta altura não possa revelar muita coisa sobre o assunto. Outro projecto é continuar a fazer o que tenho vindo a fazer desde a 5 anos atrás que é projectar Moçambique para o mundo como espaço para rodagem de filmes.

CC: E o sonho de ser actor por onde se perdeu?

PG: A dinâmica a que estou sujeito em produções quase que permanentes proíbe-me de pensar sobre esse assunto. Mas quem sabe, se calhar nos próximos tempos possa concretizar esse sonho.

Peter Gudo e uma equipe de produção

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comments

  • Aly Chiman 09/04/2019 at 15:34

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