Uma dupla Campeã Africana de taekwondo , mas anónima em Moçambique

Começaram a prática de artes marciais numa turma de 24 jovens. Mas quando o instrutor, por imperativos profissionais foi obrigado a mudar de domicílio de Maputo para a província de Manica, 22 colegas desistiram da prática desportiva. Restaram Fenias Muinga e Isidro Carmona. Com obstinação continuaram a prática de artes marciais. Viraram até motivo de piada para os que acompanhavam o seu dia a dia desportivo. É que um era extremamente baixinho e franzino e o outro deficiente. “Vão bater quem estes dois desgraçados”, assim eram os comentários. Mas o que muitos destes detractores não sabiam é que o taekwondo oferece a seus praticantes a capacidade de vencer dificuldades e obstáculos pessoais e desenvolver outras áreas da vida. Então Fenias e Isidro continuaram. Visitaram várias academias para colher experiências. Num cantinho só deles continuaram treinando. Foi um companheirismo que o levam até aos dias de hoje. Tanta dedicação ao treino do taekwondo que superaram todas as dificuldades. De cinturão amarelo na ocasião da partida do instrutor, hoje ostentam a mais alta graduação: cinturão preto. São vencedores quase que permanentes de todas competições nacionais e bi-campeões africanos da modalidade. Em Setembro do corrente ano falharam o campeonato mundial na Correia por falta de apoios para a viagem.

Perante dificuldades não param. Criaram a sua própria academia. Têm várias turmas em Maputo, Gaza e Inhambane com cerca de 400 instruendos.
– O que mais nos doe é a falta de reconhecimento por quem de direito. Com a prática de taekwondo tiramos muitos jovens da marginalidade, do consumo da droga, prática do crime, para além da integração e manutenção dos jovens na escola. – Explica Fenias.

Por sua vez Isidro explicou que ano passado fizeram viagem por conta própria para participarem do Campeonato africano da modalidade na África do Sul, onde se sagraram campeões. O seu colega, por ser deficiente tornou-se figura de destaque de jornaIs sul-africanos durante um mês. “Mas esse reconhecimento no estrangeiro não encontra correspondência cá na nossa própria terra”, lamenta Isidro.
O que a dupla mais deseja neste momento é patrocínio para sua participação em provas de nível mundial. “Já ganhamos tudo em África, e sentimos que podemos dar mais pelo país ganhando provas mundiais”, frisou Fenias.

 

 

 

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Comments

  • Emerson Sumbana 24/12/2017 at 15:22

    Infelizmente por motivos profissionais nao pude estar presente em todos os momentos que precisaram de mim a tempo, mas, consegui dar-vos a assistencia necessaria ate hoje e nunca desistirem dos vossos sonhos. Isidro e Fenias, continuem com o vosso trabalho e eu na qualidade de instrutor continuarei sempre a dar o meu melhor. Sucessos

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