A Malta de Bang com mau vídeo clip

Trata-se do vídeo clip da música Moçambique é maning nice do projecto Malta, idealizado por Bang. A nossa conclusão sobre o vídeo clip resulta de uma análise do mesmo inspirando-nos em pressupostos metodológicos sugeridos por Roland Barthes ou seja, procuramos identificar referentes para deles extrairmos significados. Tentando explicar isto que parece complicado, referente é um objecto em si, neste caso a imagem, e o significado, claro, é o significado, a interpretação que resulta do que compreendemos. Chamamos atenção para o facto de não abordamos nesta oportunidade a componente áudio por razões de método e comodidade.
Arrolando os referentes, temos as cores que dominam o vídeo que é o preto e o branco, o fundo infinito (fundo escuro), as vestes, as expressões faciais dos artistas e os planos.

Falando de planos, o vídeo clip é composto por 114 planos dos quais 98 são plano aproximado de peito, 13 muito grande plano, 2 planos aproximado de tronco e 1 Plano de detalhe, usando a terminologia de Terence Marner para designar os planos cinematográficos. Sobre os mesmos parece-nos correcta a opção de Dwalak Mendes, realizador do vídeo, embora possamos questionar a presença de um único plano de detalhe e apenas dois planos aproximado de tronco.
Sobre as vestes, que são contemporâneas, destacaremos a sua cor, que é a branca. Pensamos que o realizador pretendeu com esta opção expressar a alegria, bondade e generosidade dos moçambicanos.

Sobre o fundo infinito parece-nos também acertada a opção pois abre espaço para tratar-se diversos assuntos sobre o ambiente que ele estabelece.
Quanto às cores preto e branco que pintam o vídeo não dá para entender a opção do realizador. A letra da música fala de um “Moçambique maning nice”. Ora, a expressão “maning nice” está associada à alegria; porque então o realizador optou por cores associadas ao drama, à tristeza para expressar essa ideia?
Sobre a expressão facial dos artistas temos reparos. A face é o palco das emoções, como diria Paul Ekman. As faces dos diversos artistas que aparecem no vídeo clip revelam emoções contrastantes entre os quais a alegria, tristeza e neutralidade. Isto revela falta de cuidado do realizador na direcção dos actores que deveriam expressar com suas faces a alegria, afinal Moçambique é Maningue Nice!

Se para Martine Joly, a imagem é sempre uma representação (1994, p.44), isto significa que ela tem que ser necessariamente expressiva. Infelizmente as imagens do vídeo-clip não têm expressividade. E não nos contam nada! Para verificar isto é só desligar o som e assistir as imagens.
Para concluir dizer que é fácil reconhecer que o realizador, Dwalak Mendes, buscou referências no vídeo clip “Where is the love”, dos Black Ayed Peas ft vários artistas, sem no entanto conseguir dar alma às suas imagens nem construir uma narrativa visual que o vídeo clip que tentou copiar tem.

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